NA COPA DA EXPLORAÇÃO, QUEM GANHA É O CAFETÃO!
Intervenção da MMM Núcleo Helenira Resende, realizada na Rua do Salsa, Natal/RN. Rota da Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes!
E eis, que chegou a Copa da FIFA 2014! E com ela todas as mazelas para a vida das mulheres. Se por um lado a Copa significa festa para @s brasileir@s, não podemos deixar de denunciar os bastidores obscuros deste evento. É certo que na cidade de Natal, a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes já acontece há muito tempo, mas é necessário observar que será na época dos grandes eventos, onde esta prática se potencializará. O fato é que as redes de exploração sexual e de tráfico de seres humanos tendem a se organizar para recrutar mulheres, crianças e adolescentes para uma demanda, que certamente crescerá com a vinda de mais de meio milhão de turistas.
E nós mulheres feministas, nos perguntamos: Onde estão as políticas de descriminalização das prostitutas, que as protejam da exploração dos cafetões? Que lhes garantam o acesso e atendimento aos serviços de saúde e segurança já existentes, livres de perseguições e que assegure a defesa desta mulher? Onde estão as políticas públicas que garantam dignidade as nossas mulheres, crianças e adolescentes? Onde está a punição aos estabelecimentos e cafetões coniventes com esta aberração social, que é a mercantilização do corpo de nossas mulheres?
Observamos que diante de tanto investimento para garantir o acontecimento da Copa do Mundo, com a construção de estádios e obras de mobilidade, esperávamos que a vida das mulheres também fosse pensada neste contexto. Entendemos que as mulheres estão inseridas nesse processo de grandes eventos da forma mais precarizada, tendo em vista os trabalhos para as quais estão destinadas a executar e dentre eles os “serviços sexuais”. Em Natal, não houve sequer uma capacitação para @s profissionais das delegacias especializadas da mulher, nem aumento do efetivo. Estas mesmas delegacias não realizam plantões à noite e nos fins de semana, momento de maior índice de violência contra a mulher. Então nos perguntamos o que está sendo feito neste sentido?
Portanto é neste cenário, que a Marcha Mundial das Mulheres denuncia a incapacidade do Congresso Nacional e do Governo Estadual em pautar a vida das mulheres. Incapacidade esta, em grande medida por estarmos falando de um congresso composto majoritariamente por homens. E é por isso, que colocamos a luta por uma Constituinte na ordem do dia, pois precisamos alterar as regras do jogo eleitoral, numa tentativa de inserir mulheres trabalhadoras nos espaços de poder. E somente através de muita luta e mulher organizada, é que estaremos pautando as mudanças necessárias para a vida de todas as mulheres.
PARA POLÍTICAS PÚBLICAS, CONSTITUINTE, JÁ!

