"SEGUIREMOS EM MARCHA...ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES"

terça-feira, 17 de junho de 2014

Intervenção da MMM Núcleo Helenira Resende








NA COPA DA EXPLORAÇÃO, QUEM GANHA É O CAFETÃO!

Intervenção da MMM Núcleo Helenira Resende, realizada na Rua do Salsa, Natal/RN. Rota da Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes!

E eis, que chegou a Copa da FIFA 2014! E com ela todas as mazelas para a vida das mulheres. Se por um lado a Copa significa festa para @s brasileir@s, não podemos deixar de denunciar os bastidores obscuros deste evento. É certo que na cidade de Natal, a exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes já acontece há muito tempo, mas é necessário observar que será na época dos grandes eventos, onde esta prática se potencializará. O fato é que as redes de exploração sexual e de tráfico de seres humanos tendem a se organizar para recrutar mulheres, crianças e adolescentes para uma demanda, que certamente crescerá com a vinda de mais de meio milhão de turistas. 

E nós mulheres feministas, nos perguntamos: Onde estão as políticas de descriminalização das prostitutas, que as protejam da exploração dos cafetões? Que lhes garantam o acesso e atendimento aos serviços de saúde e segurança já existentes, livres de perseguições e que assegure a defesa desta mulher? Onde estão as políticas públicas que garantam dignidade as nossas mulheres, crianças e adolescentes? Onde está a punição aos estabelecimentos e cafetões coniventes com esta aberração social, que é a mercantilização do corpo de nossas mulheres?

Observamos que diante de tanto investimento para garantir o acontecimento da Copa do Mundo, com a construção de estádios e obras de mobilidade, esperávamos que a vida das mulheres também fosse pensada neste contexto. Entendemos que as mulheres estão inseridas nesse processo de grandes eventos da forma mais precarizada, tendo em vista os trabalhos para as quais estão destinadas a executar e dentre eles os “serviços sexuais”. Em Natal, não houve sequer uma capacitação para @s profissionais das delegacias especializadas da mulher, nem aumento do efetivo. Estas mesmas delegacias não realizam plantões à noite e nos fins de semana, momento de maior índice de violência contra a mulher. Então nos perguntamos o que está sendo feito neste sentido?

Portanto é neste cenário, que a Marcha Mundial das Mulheres denuncia a incapacidade do Congresso Nacional e do Governo Estadual em pautar a vida das mulheres. Incapacidade esta, em grande medida por estarmos falando de um congresso composto majoritariamente por homens. E é por isso, que colocamos a luta por uma Constituinte na ordem do dia, pois precisamos alterar as regras do jogo eleitoral, numa tentativa de inserir mulheres trabalhadoras nos espaços de poder. E somente através de muita luta e mulher organizada, é que estaremos pautando as mudanças necessárias para a vida de todas as mulheres.

PARA POLÍTICAS PÚBLICAS, CONSTITUINTE, JÁ!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Marcha Mundial das Mulheres "Núcleo Helenira Resende"










A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional, que surgiu no ano 2000 como uma grande mobilização reunindo mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. As ações começaram em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e terminaram em 17 de outubro, organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.

A inspiração para a criação da Marcha Mundial das Mulheres partiu de uma manifestação realizada em 1995, em Quebec, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.

Entre os princípios da MMM estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.

A Marcha busca construir uma perspectiva feminista afirmando o direito à auto-determinação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutamos para construir.

A Marcha Mundial das Mulheres já realizou três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com dezessete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento internacional.

A segunda ação mundial, realizada em 2005, novamente levou milhares de mulheres às ruas. A Marcha construiu a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, em que expressa sua visão das alternativas econômicas, sociais e culturais para a construção de um mundo fundado nos princípios da igualdade, liberdade, justiça, paz e solidariedade entre os povos e seres humanos em geral, respeitando o meio ambiente e a biodiversidade. De 8 de março a 17 de outubro daquele ano a partir de um retalho de cada país, foi construída uma grande Colcha Mosaico Mundial de Solidariedade, uma forma simbólica de representar a Carta.

A terceira ação internacional foi em 2010. Sob o lema “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, milhares de mulheres realizaram ações e marchas em todos os continentes. No Brasil, 3 mil mulheres marcharam cerca de 120 km, entre Campinas e São Paulo, durante dez dias, em uma grande demonstração da força da auto-organização das mulheres.

No Brasil, a MMM está organizada em núcleos e comitês nas cidades e estados, e há duas maneiras para participar. Os grupos e coletivos de mulheres que tenham identidade política com a MMM, podem aderir coletivamente criando um núcleo. Assim como, as mulheres que não são de nenhum grupo podem entrar em contato com os núcleos e comitês para se integrar na dinâmica da Marcha.

Em Natal/RN, o coletivo de mulheres realizou sua primeira reunião em 24 de novembro de 2013, para debater o feminismo e os caminhos de construção de um núcleo da MMM na cidade. No dia 4 de fevereiro, tivemos a nossa primeira formação enquanto coletivo e somente no dia 15 de fevereiro de 2014 definimos com muita mística, que o nome do Núcleo seria Helenira Resende. Desde então o Núcleo Helenira Resende vem participando dos principais espaços de luta da cidade, intervindo com o recorte de gênero. As reuniões acontecem semanalmente com oficinas (stêncil, lambe lambe, batucada, confecção de instrumentos, zine, faixas, cartazes, etc) e muita formação feminista.


Sintam-se convocadas para participar e construir conosco. Assim, seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres!