A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional, que surgiu no ano 2000 como uma grande mobilização reunindo mulheres do mundo todo em uma campanha contra a pobreza e a violência. As ações começaram em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e terminaram em 17 de outubro, organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.
A inspiração para
a criação da Marcha Mundial das Mulheres partiu de uma manifestação realizada
em 1995, em Quebec, no Canadá, quando 850 mulheres marcharam 200 quilômetros,
pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das
mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema
capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas,
como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e
apoio à economia solidária.
Entre os princípios da MMM estão a
organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com
movimentos sociais. Defendemos a visão de que as mulheres são sujeitos ativos
na luta pela transformação de suas vidas e que ela está vinculada à necessidade
de superar o sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor
do meio ambiente.
A Marcha busca construir uma perspectiva
feminista afirmando o direito à auto-determinação das mulheres e a igualdade
como base da nova sociedade que lutamos para construir.
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou
três ações internacionais, nos anos 2000, 2005 e 2010. A primeira contou com a
participação de mais de 5000 grupos de 159 países e territórios. Seu
encerramento mobilizou milhares de mulheres em todo o mundo. Nesta ocasião, foi
entregue à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento
com dezessete pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de
assinaturas. Essa ação foi caracterizada como um primeiro chamado de largo
alcance, um passo no sentido da consolidação da MMM como movimento
internacional.
A segunda ação mundial, realizada em 2005,
novamente levou milhares de mulheres às ruas. A Marcha construiu a Carta
Mundial das Mulheres para a Humanidade, em que expressa sua visão das
alternativas econômicas, sociais e culturais para a construção de um mundo
fundado nos princípios da igualdade, liberdade, justiça, paz e solidariedade
entre os povos e seres humanos em geral, respeitando o meio ambiente e a
biodiversidade. De 8 de março a 17 de outubro daquele ano a partir de um
retalho de cada país, foi construída uma grande Colcha Mosaico Mundial de
Solidariedade, uma forma simbólica de representar a Carta.
A terceira ação internacional foi em 2010.
Sob o lema “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, milhares de
mulheres realizaram ações e marchas em todos os continentes. No Brasil, 3 mil
mulheres marcharam cerca de 120 km, entre Campinas e São Paulo, durante dez
dias, em uma grande demonstração da força da auto-organização das mulheres.
No Brasil, a MMM está organizada em
núcleos e comitês nas cidades e estados, e há duas maneiras para participar. Os
grupos e coletivos de mulheres que tenham identidade política com a MMM, podem
aderir coletivamente criando um núcleo. Assim como, as mulheres que não são de
nenhum grupo podem entrar em contato com os núcleos e comitês para se integrar
na dinâmica da Marcha.
Em Natal/RN, o coletivo de mulheres
realizou sua primeira reunião em 24 de novembro de 2013, para debater o
feminismo e os caminhos de construção de um núcleo da MMM na cidade. No dia 4
de fevereiro, tivemos a nossa primeira formação enquanto coletivo e somente no
dia 15 de fevereiro de 2014 definimos com muita mística, que o nome do Núcleo
seria Helenira Resende. Desde então o Núcleo Helenira Resende vem participando
dos principais espaços de luta da cidade, intervindo com o recorte de gênero.
As reuniões acontecem semanalmente com oficinas (stêncil, lambe lambe,
batucada, confecção de instrumentos, zine, faixas, cartazes, etc) e muita
formação feminista.
Sintam-se
convocadas para participar e construir conosco. Assim, seguiremos em Marcha até
que todas sejamos livres!
